Cabeção de Nego

Reza braba

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Esta notícia não é fake e me deixou estupefato. Em pleno século 21 em um estado constitucionalmente laico e democrático como o Brasil uma lei municipal acaba de ser aprovada por unanimidade obrigando a todos os professores do ensino fundamental a entoarem cantigas de louvor a deidades das religiões afro-brasileiras tais como Oxossi, Índia Jupira e Exu Cemitério das Almas.

De agora em diante crianças e professores serão obrigados por lei a prestar louvores a orixás, guias e caboclos: pouco importa se em âmbito pessoal tais cidadãos sejam evangélicos, católicos, islâmicos ou ateus: se não quiserem ter problemas com a lei precisarão baixar a pombaxira e cantar direitinho suas cantigas. O projeto foi proposto pelo babalorixá José Airton de Araújo que atua como edil naquela cidade.


Ponto de Bomba-Gira – Moça bonita

De vermelho e negro,
Vestindo à noite,
O misterio traz.
De colar de ouro e brinco
Dourado a promessa faz.
Se é preciso ir,
Você pode ir.
Peça o que quiser,
Mas cuidado, amigo,
Ela é bonita, ela é mulher. (2x)

E no canto da rua zombando,
Zombando, zombando está.
Ela é moça bonita,
Oi! girando. Oi! girando,
Oi! girando lá!

Oi girando laroyê!
Oi girando laroyá!
Oi girando laroyê!
Oi girando lá!


Achou absurdo? Não está acreditando numa história destas?

É, você me pegou: a notícia na verdade não é bem assim. As entidades que deverão receber louvor por força da lei na verdade são Jeová e Jesus Cristo; o babalorixá na verdade é um vereador evangélico. O resto é verdade. Crianças e funcionários da educação da cidade de Apucarana no Paraná estão na iminência de sofrerem por parte de seus governantes um crime contra a liberdade religiosa: está em fase final de tramitação um projeto de lei que obriga todos os professores e alunos de escolas públicas e particulares em todo o município a rezarem o Pai Nosso antes de cada aula.

A lei é uma cópia de outra que havia sido aprovada no começo do ano na cidade baiana de Ilhéus e que já foi devidamente suspensa pela Justiça por ter sido declarada inconstitucional.

De qualquer modo, a notícia assusta. Assusta porque serve de testemunho sobre como e quão rápido tem crescido o fantasma da teocracia por estas bandas sobretudo entre pentecostais e neopentecostais. O cristianismo brasileiro tem sido inflado por um grupo cada vez maior de pessoas que acredita que o seu direito à fé ultrapassa e esmaga o direito alheio sobre qualquer coisa. Esta afirmação é facilmente evidenciada quando observamos no cotidiano como sobretudo nestes dois segmentos do protestantismo se lida com a questão do silêncio: são as caixas de som em volumes absurdos viradas para o lado DE FORA dos templos, são às pregações aos berros no transporte coletivo, são pessoas ouvindo Regis Danese em seus aparelhos portáteis sem fones de ouvido em locais públicos… são símbolos de que para boa parte deste grupo (regras em geral admitem excessões, inclusive esta) o direito alheio se submete à sua crença: tudo que for feito em nome de Gzuis está previamente justificado na cabeça deste tipo de religioso, inclusive impedir os vizinho de dormir por conta de vigílias barulhentas em locais sem isolamento acústico; inclusive incomodar a viagem de centenas de trabalhadores esgotados voltando de um dia de trabalho; inclusive propor, aprovar e apoiar um projeto de lei que faz com que cidadãos dos mais diversos credos ou não credos sejam submetidos aos rituais da sua crença.

Não por coincidência os proponentes em ambas as cidades são membros de denominações evangélicas “renovadas”.

É de pequenos eventos como este projeto de lei que governos totalitários como o Irã ou a Arábia Saudita emergem e o start é exatamente quando um grande número de pessoas passa a acreditar que sua escolha religiosa lhe confere direitos especiais ante seus concidadãos, como tendo visto no meio pentecostal/neopentecostal.

E é ainda mais alarmante porque em uma câmara de representantes eleitos não se ouviu uma voz sequer de contestação ao projeto teocrático.

Então, já que não há remédio, obedeçamos a lei, e oremos!

 

Pai nosso da Terra

Pai nosso que estais na terra
Simplificado seja vosso nome
Esta em mim o vosso reino
Que seja minha tua vontade

Bendito ou maldito!
Se o que eu mato eu como
A espera nossa de cada dia
Nos dai hoje e castigai
Aqueles que vivem
Do sacrifício dos teus

Sem que perdoe os teus devedores
Pai nosso da Terra
Livrai-nos da maldição dos fracos
Livrai-nos da maldição dos fracos
Amém

 

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Written by Daniel

julho 2, 2012 at 11:55 pm

Publicado em Religião

Não me processa não, Cidinha Campos

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Desde bem antes de eu me entender por gente a senhoríssima Cidinha Campos ganha o pão de cada dia espinafrando deus e o mundo em seus nômades programas de rádio e televisão ou em suas bocadinhas políticas no largo da Candelária, na Praça XV ou na praça dos Três Poderes a depender da época. Conheço a moça desde que eu tinha lá meus cinco aninhos e meu pai botava toda manhã o dial na Rádio Tupi AM para ouvir aquela senhora descendo a lenha em todos os safados, canalhas e pilantras que empesteiam nossa política e sociedade.

Cidinha Livre!, o nome com que gosta de batizar suas publicações e programas faz referência exatamente a isso: à liberdade com que exprime suas opiniões e convicções, sem papas na língua, sem meias palavras, sem amarras.

Me surpreendeu então a nova briga em que a santíssima e distintíssima deputada se meteu, eis que como é de sua velha tradição a anciã usou recentemente parte de seu tempo no plenário da Assembléia Legislativa do Rio para esculhambar um dos seus muitos desafetos políticos: o blogueiro Ricardo Gama, jornalista “independente” (ou desempregado e vivendo de bicos) que se dedica a um blog dito investigativo sobre a política e o crime fluminense e que há algum tempo foi vítima de um atentado à bala, do qual sobreviveu por muita sorte quase sem sequelas (se levarmos em conta ter sido acertado por seis tiros de pistola 9mm).

Ora, no tal discurso a dona Cidinha apelou para a mais do que batida (no que diz respeito a ela) oratória: chamou o Ricardo de vagabundo, canalha, fez zombarias com o ataque sofrido pelo inimigo. Até este ponto, nada de novo no Reino de Avilan. Cidinha apenas estava apenas fazendo uso de seu talento mais conhecido.

O toque pitoresco desta história veio quando Ricardo Gama revidou as ofensas no mesmo tom. Foi processado por dona Cidinha por injúria. Neste momento entra em cena o vlogueiro Daniel Fraga que em defesa de Ricardo e do que considera (e eu também) verdadeiro conceito da liberdade de expressão postou no Youtube um vídeo, também espinafrando a deputada ilibadíssima, e tomou-lhe um processo nas ventas também.

Pessoalmente sou contra processos em virtude de expressão de opinião, mesmo quando envolvam ofensa direta. Acredito em liberdade de expressão em sua forma ampla e irrestrita. Também pessoalmente não sou fã em nenhuma medida de nenhum dos envolvidos, muito pelo contrário. Mas se há alguém neste país que não deveria apelar para o artigo 140 do Código Penal ou para as demais legislações em favor da honra jamais este alguém é a talentosíssima radialista Cidinha Campos.

É sui generis, quase não dá pra acreditar.

Written by Daniel

junho 26, 2012 at 1:43 am

Publicado em Sociedade

Filippa Gojo, tsssss!

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Há alguns meses conheci através do português Bitaites o belíssimo conjunto de jazz germânico Senary System . e fiquei especialmente encantado pela voz e pelo sax.  A voz é da guria Filippa Gojo, gatíssima… e workaholicíssima. O número de projetos em que a garota esteve ou está envolvida é incrível: integra uma banda própria chamada Filippa Gojo Quartet,faz parte do tal Senary System , é membro de um quarteto feminino de cordas  (versão delas para Samba em Prelúdio, de Baden Powell e Vinícius, é tssss,pica,véi!!!), atua em uma orquestra de música erudita… e mais um monte de projetos que bisbilhotei por aí e não me lembro agora.

Vale a pena dar uma googada ou um pulinho no My Space para ouvir as coisas que a menina produz lá pelas terras da dona Angela Merkel…

Quer uma dica? Tire uma garrafinha de Franziskaner (ou de Itaipava mesmo) na geladeira, descalce os sapatos, apague as luzes da sala, bote o home theater num volume ambiente, desabe o corpo num canto qualquer, e…

Written by Daniel

junho 25, 2012 at 11:06 pm

Publicado em Rock and Roll

Linux é difícil

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Há quase dois anos meu Windows Vista Starter Edition estava com tanto, mas tanto vírus, que eu resolvi correr o risco da minha vida: aprender a instalar Linux no PC, meia hora de googladas e acabei escolhendo o famosão Ubuntu mesmo, em Dual Boot, tinha muitos arquivos importantes: uma coletânea enorme de filmes pornôs e um bocado de discografias nas pastas XXX e Music, e perdê-los ia ser um desastre: particionei o HD, meti o cd na gavetinha, e para minha primeira surpresa “eita, mas isso foi mais fácil que instalar o Mozilla, uai”

Ahhh, o Maverik Merkat, ahhh a fase das descobertas. É claro que quem vai iniciar no uso de qualquer distro Linux vai sentir algumas dificuldades: o botãozinho do Firefox está lá e pra abrir é igualzinho: dois cliques, mas como configura a internet? esta janela tá muito feia, não tem como mudar a cor? cadê minha partição de música? dá pra decidir como se instala um programa? vai de terminal ou via central de programas? compilar? por que meu arquivo .rtm não tá funfando? que diabos é uma distro?

Com a passar de uns 2 ou 6 meses uma pessoa normal já não terá estas dificuldades mais básicas, e a partir daí… bom, a partir daí também não é um sistema operacional sem nenhum defeito, é possível que meia dúzia de dois ou vinte recursos nativos em Windows não estejam lá, é possível que nas versões mais recentes de cada distro você perceba alguma instabilidade, mas no geral Linux ganha de goleada do seu concorrente de código proprietário. Começa pelo fato de em Linux não existir versão Starter Edition ou Home Basic. É claro que este não é um problema para quem está habituado aos KATs e Pirate Bays da vida, mas suponhamos que você não queira correr os riscos de segurança de usar uma versão hackeada, ou que seus valores éticos lhe digam para não fazê-lo. Imagine que sua mãe foi lhe comprar um PC novo e voltou toda feliz dizendo que tinha pago mais caro mas que tinha valido a pena porque este era o Windows 7, que o vendedor disse pra ela que era o mais moderno, e quando você desempacota é o 7 SE, que não te permite trocar o papel de parede, que não te permite gerenciar uma conexão do computador do quarto com o da sala, que não te permite aumentar a memória em mais que 2 gigas… que paunocú, né Microsoft?

Pois é, em Linux é sempre a versão Ultimate que você recebe, é você quem decide quais funções estarão habilitadas ou não; existem sim funções nativas em Windows e inexistentes (ou que eu ainda não descobri) em Linux, mas o inverso é muito mais verdadeiros. Os ambientes gráficos em Linux são muito  mais robustos que o shell do Windows (e mesmo assim rodam mais macio). Em Linux também não existe o conceito de hardware obsoleto, o hardware em Linux fica obsoleto apenas quando estraga mesmo, tipo: dá curto ou o hd queima, mas não porque o desenvolvedor não fornece atualizações para aquele PC. Existem diversos projetos de Linux destinados a dar um gás sempre novo nos PCs mais cacarecos que existem, tipo: coisa que roda com 128 de RAM num Pentium III, e fazê-los dentro da medida do que aguentam rodarem macio programas modernos e receberem atualiazações de segurança periódicas. Compatibilidade é um problema cada vez menor, até porque se seu computador for relativamente novo você pode contar com a mão na roda Wine.

E rodar um SO imune a vírus? Bem, algum linuxer chato vai acabar lembrando que Linux não é imune a vírus… sim, não é, mas também não pega: as propriedades de segurança são tão bem feitas pelo pessoal que entende de código (não sou eu) e que gera as distros Linux que para o usuário final (esse sou eu) basta seguir meia dúzia de normas básicas (como não instalar programas de fontes “alternativas” ou não navegar pela internet logado como “root”, uma senha especial que você só usa para executar tarefas mais cabeçudas e perigosas) que pronto: você pode desfrutar da mais livre, se é que você me entende, das navegações sem medo de pegar qualquer tipo de gonorréia cibernética.

Linux é mais funcional que Windows, é mais bonito (a depender de suas configurações) que Windows, é mais versátil que Windows, é mais leve que Windows, é mais democrático que Windows… ainda não entrei no clube dos que chamam Windows de Ruindous, até acho que em um ponto ou outro o sistema da Microsoft leva vantagem. Mas se você experimentar o pinguin e usar uma balança bacana acho que você não vai mesmo querer saber das janelinhas coloridas depois.

Vale a pena uns meses de perrengue e aprendizado.

Ps.: ainda tenho o W7 e não aconselho que você delete o seu, nunca se sabe quando vai precisar ;P .

Ouvindo: Jailbreak, do AC/DC

Written by Daniel

maio 18, 2012 at 6:38 pm

Publicado em Linux

Adorei as almas!!!

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Hoje é dia de preto velho, um conjunto de entidades simpáticas da umbanda representadas por senhores e senhoras negros com feições de avós cheio de experiência de vida e bondade acumulada. Well, não sou de umbanda, não sou de candomblé, não sou de tuque tuque nenhum e não adoro às almas, existam elas ou não. Mas saber desta data comemorativa me lembrou de uma das muitas canções que fazem parte da trilha sonora cabal da minha vida. O poema de João Ricardo é sintético e diz:

“Aquele Preto, tão Preto/co’aquela barba branca, tão preta/e aquele olhar tão negro/de quem espera ganhar/um sorriso incolor” e acaba por aí.

Bela ode a desimportância da raça: a descrição tão firme da negritude do preto velho, a ênfase acentuada pelo contraste de sua barba outrora também negra e agora totalmente desbotada, a repetição insistente de que a personagem homenageada é preta, tão preta e de um olhar, para “piorar”, tão negro é só para revelar, no último verso, que todos estes detalhes são irrelevantes e que tudo que o negro em questão merece é receber um sorriso que não leve em consideração esta desimportância toda, mas toda a sua ternura e sabedoria, é o tal do sorriso incolor que só o poeta poderia nomear tão bem.

Written by Daniel

maio 13, 2012 at 6:38 pm

Publicado em Religião

Não ria!

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Eu estou meio ranzinza pra humor nos últimos tempos, não sei se é sintoma da velhice, não sei se é efeito colateral do excesso de memes de graça duvidosa que tomaram conta da internet e da febre de comediantes “em pé” pra tudo que é canto, mas acho que meu sensor de piadas estragou. Não tenho conseguido rir nem das brigas entre o Kiko e o Chaves, quer dizer: o bagulho é sério.

Mas acho que ainda sei reconhecer uma boa piada, mesmo que não ria dela, e a piada do Rafael Bastos fazendo uma brincadeira com diversos significados da palavra “retardo” é boa, vai.

Em primeiro lugar usar “retardo mental” no lugar de “deficiência cognitiva” não é errado. A APAE ou boa parte das mães de pessoas com deficiência cognitiva podem não gostar do termo retardado, podem preferir “especial” mas por outro lado existem enciclopédias e cientistas que gostam do termo e não veem nada de errado com ele. Parece que o Ministério da Saúde do Brasil também não têm problema com essa nomenclatura, tanto que é assim que nomeia as pessoas “especiais” tratadas pela APAE: como portadoras de uma condição clínica chamada Retardo Mental: ora bolas, doenças têm que ter pelo menos um nome, ruim é a doença, não o nome ou o doente.

De qualquer modo, direito da APAE não gostar do popular, universalizado, claro e dicionarizado termo Retardo Mental (e de seus cognatos): eu também tenho implicância com algumas palavras, não gosto por exemplo de “transar” porque acho um modo meio de mãe classemedista católica romana dizer que a filha tá dando mais que xuxu na horta “sem pegar mal”, tipo uma gíria careta, sabe?

Pra mim “transar” rima com hipocrisia, embora eu tenha sim aprendido já lá no primário que isso á impossível. Também não gosto de “fazer amor”: prefiro foder, fuder, fazer sexo, dar umazinha, trepar, furunfar, meter, trocar o óleo, fazer um rala e rola. Mas nem por isso vou sair processando as mães que insistem na merda de dizer orgulhosas que “suas filhinhas ainda não estão transando (urrrgh) com os namoradinhos”.

Em segundo lugar Rafael Bastos não inovou no modo de fazer humor, e isso vai em sua defesa, desde que acho que sou gente que uma das formas mais usadas para fazer é humor é meter dois termos foneticamente parecidos ou idênticos, mas com significados distintos, um mais “leve” outro mais “pesado”, em uma mesma história… e misturar os significados dos dois na cabeça do ouvinte, causando uma breve confusão na sua mente, que é exatamente o que, após resolvido, vai provocar o riso. Melhor ainda se houver algum elemento sexual na história. Foi isso que o Rafael fez com os significados de retardado (portador de retardo mental) e retardado (demorado) e com sua alusão ao seu melhor amigo e companheiro de todas as horas.

Quanto à piada com aquela cantora insossa de músicas bregas rebolativas filha de um cantor desafinado e mais brega ainda eu não tinha era entendido a piada; até agora não entendi: ele comia o bebê porque ao comer a mãe estava socando dentro do receptáculo onde ora estava a criança? Ele comia o bebê porque ao cometer um ato bárbaro como comer a mulher de outro cara, ainda por cima estando esta grávida, ele se demonstrava um ser abjeto e imoral destes que comem criancinhas, tipo ateus e comunistas? Ele comia a Wanessa e o bebê porque ele não tinha nada pra falar na sua “deixa” e falou qualquer merda? De qualquer forma não era caso pra censura.

Agora, essa aí? Se ele ainda tivesse feito alguma insinuação de que portadores de retardo mental devam ser mortos… ou pelo menos agredidos, mas não, “Usei camisinha com efeito retardante e tive que internar meu pênis na Apae. Tá completamente retardado hoje em dia” é tão ofensivo às crianças “especiais” quanto “Usei camisinha com efeito refrescante e tive que dar Apracur pro meu bilau. Hoje ele acordou completamente resfriado” é ofensivo aos gripados.

Written by Daniel

fevereiro 3, 2012 at 10:41 pm

Publicado em Sociedade

Sheeps (some different ones)

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Written by Daniel

junho 10, 2011 at 12:01 am

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