Cabeção de Nego

Archive for the ‘Sociedade’ Category

Negro, pobre e contra cotas.

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Acho extremamente bonita a posição deste professor da UERJ e a da sua filha expressas no último parágrafo deste artigo: como já falei lá no post sobre a Christina Hoff Sommers, são realmente louváveis as pessoas que conseguem defender posições não porque seriam diretamente beneficiadas por elas mas porque acreditam que por trás de suas ideias está um plano de justiça comum, de ganho para toda a sociedade.

Dito isto, estou no extremo oposto: sou negro e muito pobre mesmo, mas não acredito na justiça ou na efetividade do sistema de cotas racial e sequer do sistema de cotas social (que já apoiei com ressalvas no passado, mas hoje sou contra).

Fui estudante cotista da mesma UERJ em que o autor do artigo linkado acima leciona (embora nem tivesse precisado já que minha nota foi bem maior do que a nota de corte da ampla concorrência), hoje estudo na UFRJ (não cotista), passei ainda neste meio tempo por um curto período na UFF (não cotista).

O meu principal ponto contra as cotas é que (pelo que tenho visto na minha experiência pessoal, na absoluta falta de estudos academicamente legítimos sobre o tema, é só com ela que posso trabalhar) ela não tem beneficiado o seu alvo platônico: no campo das ideias, num mundo puramente platônico, o grupo de pessoas beneficiadas pelo sistema de cotas seriam tipicamente filhos de lavadeiras e pedreiros, moradores de bairros pobres ou favelas, gente que estudou em escolas estaduais suburbanas típicas onde faltam professores e equipamentos didáticos… é este o “cotista” que aparece nas propagandas oficiais, é este o “cotista” que é defendido nas reuniões dos DCEs, sindicatos e outros bankers típico da esquerda; e estas pessoas seriam “privilegiadas” apenas no sentido de equilibrar a disputa contra jovens bem vividos, filhos de pais com ensino superior, moradores de bairros nobres, educados em escolas de ponta com amplos recursos didáticos.

Existem dois problemas nesta conta:

1º – Nossa sociedade não é tão dividida assim, não existe uma Belíndia brasileira de fato, existem um monte de meios termos, existe sim uma Bélgica na Vieira Souto e uma Índia na margem continental da Ilha do Fundão, mas existem Colốmbias, Grécias, Portugais, Espanhas, Chiles, Venezuelas que não entram na conta quando se faz este cálculo dualista, quando se desenha o Brasil como sendo uma sociedade meramente dividida entre ricos e pobres, neste sentido eu acredito que um sistema de bonificações progressivas em que, por exemplo, um aluno com renda familiar de menos de 1 salário per capita ganhasse 5 pontos de bônus na nota final do vestibular e um aluno com renda menor que 3 salários ganhasse 2 pontos, em que um aluno que estudou em escola pública desde a primeira série ganhasse outros 5 pontos e outro que tivesse estudado em pública só no ensino médio ganhasse 2 pontos daria mais conta, ao menos no campo das ideias, destas nuances de nossa pirâmide social do que um sistema tão pão-pão,queijo-queijo, tão linguiça ou salsicha quanto o sistema de cotas atual.

2º , e mais importante: o sistema de cotas não tem facilitado o acesso de pobres à universidade, tem facilitado a vida dos espertos, dos malandros, dos que sabem usar o jeitinho brasuca para desde furar fila do bandejão até receberem restituição de tudo que pagaram de imposto de renda falsificando comprovantes de cuidados médicos e declarando o papagaio e o poodle como dependentes. A maioria dos cotistas que conheço é gente de razoavelmente a muito bem vivida, em geral filha de pais graduados, que estudaram a vida inteira em boas escolas particulares e apenas o ensino médio em escolas públicas de referência (IFRJ, FIOCRUZ, CP2, Colégio Militar, CEFET, CAp-UERJ…) e que mentiram, quase sempre omitindo as rendas dos pais, para passarem de modo mais fácil.

Os desafortunados de verdade trocaram a disputa desleal com os ricos egressos do Colégio São Bento e do Notre Dame pela disputa desleal com os no mínimo remediados e muito espertos egressos do Colégio Pedro II, do Colégio Militar, do CEFET.

Para além disso, tenho mais um monte de ressalvas sobre os programas de inclusão acadêmica, sobretudo o sistema de cotas racial e o PROUNI, como a legitimização da ideia de inferioridade intelectual dos negros, o reforço do sentimento de que com jeitinho brasileiro e lei de gerson você sempre se dá bem, o direcionamento do dinheiro público para criar um “novo” tipo de coronelismo político, a possibilidade da redução da produtividade acadêmica com a redução da exigência para ingresso…

Ficam pra próxima…


Curiosamente poucas horas depois de publicar mais este texto pra ficar perdido na websfera leio uma matéria no G1 sobre um novo “escãndalo” sobre o sistema de cotas: um monte de estudantes, a maioria meninas, a maioria loiras, foram pegas pra cristo pelo MP do Rio por terem se declarado negras no vestibular da UERJ. 

Alguns pontos:

1. é quase unânime no sistema de comentários do G1 a opinião de aconteceria menos se o sistema de cotas fosse meramente social; não creio, é tão fácil declarar apenas a si próprio ou apenas a mãe e não o pai na composição familiar (e desta forma não ultrapassar o limite de renda estipulado pelas regras do certame); e isso tem sido feito amplamente desde que os sistemas de cotas foram instituídos.

2. discusões sobre moralidade ou eticidade da prática a parte, nenhum dos jeitinhos pode ser considerado ilegal: nem mentir a renda (no caso de pós-adolescentes que não tenham renda própria, que é o público alvo dos vestibulares) nem se declarar negro não sendo. Como o reitor da UERJ disse, não há nada a se fazer quanto a alunos brancos que se declaram negros, de acordo com o estatuto racial. A questão da composição familiar é um pouquinho mais complicada, mas existe uma dificuldade prática de provar que alguém está mentindo em sua composição familiar, ao menos quando todos forem adultos. Não existe uma definição objetiva de quais circunstãncias tornam 4 adultos membros de uma mesma família, a coisa do ponto de vista legal é (e deve continuar sendo) um tanto quanto flexívele isso permite, como dito acima, que se faça os melhores arranjos (no sentido de dar um jeitinho de entrar nas cotas) possível.

Written by Daniel

março 29, 2014 at 3:27 pm

Publicado em Política, Sociedade

Reparou como os velhos vão perdendo a esperança?

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Hoje a pri­meira grande con­quista do mo­vi­mento está sendo co­me­mo­rada: os qua­tro prin­ci­pais go­ver­nan­tes do Rio e de São Paulo anun­ci­a­ram que vão re­du­zir as pas­sa­gens e como meio de evi­tar o pre­juízo às em­pre­sas cri­a­rão sub­sí­dios para com­pen­sar o não au­mento (ou seja, para cada vi­a­gem feita por um ci­da­dão o go­verno pa­gará às em­pre­sas, com o di­nheiro de im­pos­tos, os tais 0,20 da dis­cór­dia).

Assim fi­cou todo mundo fe­liz: os em­pre­sá­rios de trans­porte que man­ti­ve­ram sua mar­gem de lu­cro in­to­cada; os go­ver­nan­tes que en­con­tra­ram uma so­lu­ção po­pu­lar e que pode ga­ran­tir al­guns vo­ti­nhos no fu­turo; a grande massa dos ma­ni­fes­tan­tes ino­cen­tes úteis que são in­ca­pa­zes de per­ce­ber que afinal trocou-se seis por meia dú­zia; os ma­ni­fes­tan­tes lí­de­res que têm agora a faca e o queijo na mão para se tornarem os próximos Lindbergs Farias (oi, Mayara Vivian?); e o movimento estudantil que agora tem mais uma glória para contar além da derrubada (só que não) do Collor e da invenção de uma das leis mais estúpidas do país: aquela que exige que não estudantes paguem o dobro e que estudantes paguem a metade do dobro em eventos artísticos.

Estão todos de parabéns, legal ,)

Written by Daniel

junho 20, 2013 at 1:42 am

Publicado em Sociedade

Christina Hoff Sommers, uma feminista que enxerga para além do próprio umbigo.

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É fácil ser antiracista quando você é um negro vivendo na África do Sul de 1960, é muito óbvio ser feminista quando você é uma mulher dos anos 20 impedida de votar ou estudar ou trabalhar ou ter opiniões.

Christina Hoff Sommers é do tipo de pessoa nem tão fácil de se encontrar: numa sociedade em que as mulheres estão definitivamente por cima da carne seca e que a cada dia exigem e recebem mais e mais privilégios ela se empenha na posição de combate contra o movimento hegemônico (que hoje é) de sexismo às avessas chamado de feminismo.

Na verdade ela divide o feminismo em dois grupos: um ela chama de feminismo de igualdade (em que ela afirma estar inclusa, e eu também, embora prefira o termo neutro “anti-sexismo”) onde inclui todos os indivíduos que advogam por igualdade civil e legal entre gêneros e o outro que ela chama de feminismo de gênero, este feminismo das propagadoras da Lei Maria da Penha e do vagão feminino que tanto me enoja (e que ela passa a vida a combater) onde inclui aqueles que defendem a manutenção e criação privilégios para as mulheres sempre ávidos em combater uma desigualdade por outra.

Não é a única intelectual de relevo a ter percebido os excessos e falácias do discurso e da prática feminista contemporânea, aliam-se a ela nomes de relevo como a escritora Camille Paglia, mas deve ser a que é mais ativa em sua bandeira de “igualdade sempre a não depender de quem está sendo injustiçado”.

 Poderia ficar quietinha no seu canto, aproveitando um momento em que as suas cogêneres trabalham quase sempre menos para ganhar a mesma coisa, se aposentam mais cedo, ficam com mais de 80% das guardas em caso de separação, sofrem penas menores quando cometem os mesmos crimes, agridem mais do que são agredidas dentro do lar et cetera.

Mas dona Sommers não é daquele tipo de gente que só enxerga a desigualdade quando é no próprio lombo que o chicote está estalando, não está bom para ela quando numa sociedade dita igualitária alguns indivíduos sempre parecem ser mais iguais que os outros. Por isso acho que Christina merecia mais traduções em português, o muito que achei foram alguns vídeos legendados no Youtube, nenhum dos seus livros (que são best-selleres em seu país) como “Who stole feminismo” (‘Quem vendeu o feminismo?”) ou “War agaist boys” (A guerra contra os meninos”) foi traduzido para a língua de Caetano Veloso.

Não posso fazer muito quanto a isso, mas dá para gastar uns minutos a traduzir este artigo escrito por ela para o Huffington Post sobre o discurso falacioso dos feministas sobre a alegada e não sustentável em termos acadêmicos injustiça salarial entre homens e mulheres.

Mrs. Sommers demonstra que se mulheres ganham menos que homens é porque escolhem trabalhar em atividades menos laboriosas (serviço e comércio contra indústria e extração no caso dos homens), que exigem menos especificidade técnica e com maior relação de profissionais disponíveis por vagas no mercado (humanas no caso delas contra exatas no caso deles) e pela diferença de carga horária (homens trabalham muito mais hora por dia, na média) e não pelo mercado ser controlado por mãos misóginas.

Não mencionou ainda que as mudanças ainda estão em trânsito e que ao que tudo indica daqui a muito pouco tempo mulheres não só trabalharão muito menos que os homens (como já trabalham) e atividades menos laboriosas (como já é feito) como ganharão salários significativamente maiores devido à outra lacuna entre gêneros que tem se formado, a educacional.


O mito da lacuna salarial desmascarado (por feministas)

Christina Hoff Sommers para o Huffington Post

Se você acredita que as mulheres sofrem discriminação salarial sistêmica, leia o novo estudo da Associação Americana de Mulheres Acadêmicas (AAUW) “Graduando-se para uma lacuna salarial” . Ignore as estratégias verbais e considere profundamente olhar para os números. As mulheres estão perto de atingir a meta de salário igual para trabalho igual. Elas podem já ter atingido.

Quantas vezes você já ouviu que, para o mesmo trabalho, as mulheres recebem 77 centavos para cada dólar do que um homem ganha? Esta alegada injustiça é a base para o dia Dia da Igualdade Salarial observado a cada ano, em meados de abril para simbolizar quantos dias a mais as mulheres têm que trabalhar para recuperar o atraso em relação aos ganhos dos homens do ano anterior. Se a AAUW estiver correta, o Dia da Igualdade Salarial terá agora de ser transferido para o início de janeiro.

A AAUW agora se alia com os economistas sérios que acham que quando você usa as diferenças relevantes entre homens e mulheres  (ocupações, níveis de graduação, período de tempo em local de trabalho) como controles epistemológicos a diferença salarial estreita a ponto de desaparecer. A diferença de 100 para 77 é simplesmente a diferença média total entre os rendimentos de homens e mulheres empregados. O que é importante é que a diferença de salário “ajustado”- o raciocínio que controla todas as variáveis relevantes. É isto o que o novo estudo AAUW explora.

Os pesquisadores AAUW observaram indivíduos com formação universitária do sexo masculino e feminino, um ano após a graduação. Depois de controlar vários fatores relevantes (embora alguns foram deixados de fora, como veremos), eles descobriram que a diferença salarial diminuiu para apenas de 23 dólares 6,6 dólares. Quanto desta diferença pode ser atribuída à discriminação? Como a porta-voz AAUW Lisa Maatz candidamente disse em uma NPR entrevista, “Nós ainda estamos tentando calcular isso.”

Um dos melhores estudos sobre a disparidade salarial foi lançado em 2009 pelo Departamento do Trabalho dos EUA. Ele analisou mais de 50 artigos revisados por pares e concluiu que a diferença de 23 centavos de salário por dolar “é, possivelmente, resultado de escolhas individuais que estão sendo feitas por ambos os trabalhadores do sexo masculino e feminino.” Até agora, os grupos feministas ignoravam ou replicavam tais achados.

“Na verdade”, diz o Centro Nacional de Legislação Feminina, “estudos fidedignos mostram que, mesmo quando toda a carreira relevante e características familiares são levados em conta, ainda existe uma lacuna significativa, inexplicável entre rendimentos de homens e mulheres.” Não é bem assim. O que o estudo do Departamento de Trabalho 2009 mostrou foi que, quando os controles adequados estão no lugar, a diferença salarial inexplicável (ajustada) é algo entre 4,8 e 7 por cento. O estudo AAUW novo é consistente com estes resultados.

Mas esta lacuna inexplicável, embora muito menor do que os 23 centavos incessantemente divulgados, ainda não é uma grave injustiça? Não deveríamos procurar formas de obrigar os empregadores a pagar às mulheres estes 5 ou 7 por cento de diferença? Não antes de descobrir a causa. A AAUW observa que parte desta nova lacuna de 6,6 centavos por dolar pode ser devida à supostamente menor capacidade das mulheres em negociar – e não empregadores sem escrúpulos. Além disso, a AAUW de 6,6 centavos inclui algumas grandes diferenças salariais legítimas mascaradas pelo excesso de categorias ocupacionais agrupadas. Por exemplo, os pesquisadores classificam Ciências Sociais como uma (única) carreira e relatam que, em tal carreira, as mulheres ganhavam apenas 83 por cento do que os homens ganhavam. Isso pode parecer injusto … até que você considere que a Ciências Sociais (no estudo) inclui tanto a Economia quanto Sociologia.

A carreira de Economia (cuja porcentagem de estudantes e profissionais homens é de 66) oferece um salário médio de US $70.000, a carreira de Sociologia (68 por cento mulheres), oferece uma média salarial de US $40.000. A economista Diana Furchtgott-Roth, do Instituto Manhattan aponta incongruências semelhantes. O estudo da AAUW classificou trabalhos tão diversos como advogado, bibliotecário, atleta profissional e comunicador social debaixo de uma mesma rúbrica – “outros empregados de escritório” .  Furchtgott-Roth contesta: “Então, o relatório AAUW compara o salário de advogados do sexo masculino com o de bibliotecários do sexo feminino; dos atletas do sexo masculino com o das assistentes. Isso não é uma comparação entre as pessoas que fazem o mesmo trabalho.”. Com categorias mais realistas e definições, a diferença de 6,6 restantes certamente diminuir para apenas alguns centavos, no máximo.

Poderia a defasagem salarial por gênero vir a ser zero? Provavelmente não. A AAUW corretamente observa que ainda há evidência de viés residual contra as mulheres no local de trabalho. No entanto, com a diferença se aproxima de alguns centavos, não há muito espaço para a discriminação. E como os economistas frequentemente nos lembram, se fosse realmente verdade que o empregador poderia pagar menos para Maria pelo mesmo trabalho que o João faz, os empresários inteligentes demitiriam todos os seus funcionários do sexo masculino, substituiriam pelas fêmeas, e desfrutariam de uma vantagem enorme mercado.

Grupos de mulheres irão afirmar que mesmo se a maior parte da diferença salarial puder ser explicada pela escolhas das mulheres, essas escolhas não são verdadeiramente livres. Mulheres que se graduam em sociologia, em vez de economia, ou que escolhem trabalhos que permitam mais atenção à família sobre aqueles que pagam melhor, mas oferecem menos flexibilidade, podem estar sendo impelidas por estereótipos culturais. De acordo com a Organização Nacional de Mulheres (NOW), poderosos estereótipos sexistas “orientam” homens e mulheres “para a educação, treinamento e planos de carreira diferentes” e diferentes papéis familiares. Mas são as mulheres americanas realmente tão escrava de estereótipos como seus protetores feministas reivindicam? Não são mulheres capazes de compreender suas preferências reais e tomar decisões por si mesmas?  O NOW precisa demonstrar, não dogmaticamente afirmar, que as escolhas das mulheres não são livres. E precisa explicar por que, em contrapartida, as escolhas de vida que promove são as autênticas – as mulheres realmente querem, e que irá torná-las mais felizes e realizadas.

Não vai ser nada fácil para o AAUW e seus aliados abandonar a idéia de injustiça de gênero sistêmica. Os funcionários da AAUW estão fortemente tentandos a sustentar a narrativa de “más notícias para as mulheres”. De acordo com o material publicitário de “Graduando-se para uma lacuna salarial”, “A AAUW divulgou hoje um novo estudo mostrando que apenas um ano fora da faculdade, milhares de mulheres recebem  82 centavos para cada dólar pago a seus colegas masculinos. Mulheres recebem menos do que os homens mesmo quando eles fazem o mesmo trabalho e se formam na mesma área. ” Muitos jornalistas parecem ter lido e divulgado o press release da AAUW, em vez de sua pesquisa.

Aquilo é só a publicidade. Se foquem nos números.

Written by Daniel

novembro 16, 2012 at 3:44 pm

Publicado em Sexismo, Sociedade

Et vive l’anarchie!!!!

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Lendo os comentários nos blogs e sites da websfera sobre o caso do guarda que deu uma banda no skatista abusado só posso dizer que o pessoal parece não saber mesmo viver em algo que não seja ditadura nem anarquia: é 8 ou 80, ou vivem sob a vigilância constante do Estado sob cada ação e pensamento ou acham que tá tudo descaralhado e que não precisam cumprir regra alguma sobre coisa nenhuma.

Quer dizer que o moleque descumpre sucessivas ordens do poder constituído quanto ao local em que deveria praticar suas manobras radicais (a fim de não colocar em risco quem não tinha nada a ver com a novela), se nega a cumprir as ordens (ordens estas justificadas e coerentes comuma visão democrática e plural do conceito de liberdade e da máxima ocidental de que o direito de um cidadão termina onde o de outro começa: nestes casos o de praticar seu esporte preferido e o de caminhar tranquilamente em uma praça, respectivamente) de forma acintosa, é impedido por meio de força (força esta que é o que caracteriza o poder de polícia) de cometer o delito e vira herói? Tá bom, então.

Ao meu ver a ação do guarda foi legítima e no estrito cumprimento da função. Agora, que lição a sociedade tá dando a estes moleques? Que eles não precisam cumprir normas, que ordem da lei é o caralho, que direito alheio e limites de uso do espaço público é a puta que o pariu.

Daqui a alguns anos é possível que ouçamos notícias sobre um tal de Pedro Neném que talvez tenha matado alguns pedestres enquanto estava participando de um pega com os amigos, e ficaremos nos perguntando o porquê de a polícia não ter intervido. Sim, porque são análogas, fazer acrobacias de skate a vários metros de altura fora da rampa e sobre a cabeça de pacíficos transeuntes é análogo a fazer cavalo de pau fora de um autródomo e em uma rua cheia de pedestres. E acho que nem vou precisar explicar que “análogo” não é sinônimo de “idêntico” já que este blog não tem sequer leitores, que dirá leitores analfabetos.

Se o poder constituído na figura do guarda municipal não tem direito (e dever) de impedir por meio da força um ato de desordem mesmo após várias  recomendações pacíficas então dissolvam a guarda municipal do Rio, dissolvam a PM, dissolvam a Marinha… e que venha a tão sonhada anarquia. Vivas a ela!!!

Written by Daniel

julho 27, 2012 at 4:43 pm

Publicado em Sociedade

Não me processa não, Cidinha Campos

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Desde bem antes de eu me entender por gente a senhoríssima Cidinha Campos ganha o pão de cada dia espinafrando deus e o mundo em seus nômades programas de rádio e televisão ou em suas bocadinhas políticas no largo da Candelária, na Praça XV ou na praça dos Três Poderes a depender da época. Conheço a moça desde que eu tinha lá meus cinco aninhos e meu pai botava toda manhã o dial na Rádio Tupi AM para ouvir aquela senhora descendo a lenha em todos os safados, canalhas e pilantras que empesteiam nossa política e sociedade.

Cidinha Livre!, o nome com que gosta de batizar suas publicações e programas faz referência exatamente a isso: à liberdade com que exprime suas opiniões e convicções, sem papas na língua, sem meias palavras, sem amarras.

Me surpreendeu então a nova briga em que a santíssima e distintíssima deputada se meteu, eis que como é de sua velha tradição a anciã usou recentemente parte de seu tempo no plenário da Assembléia Legislativa do Rio para esculhambar um dos seus muitos desafetos políticos: o blogueiro Ricardo Gama, jornalista “independente” (ou desempregado e vivendo de bicos) que se dedica a um blog dito investigativo sobre a política e o crime fluminense e que há algum tempo foi vítima de um atentado à bala, do qual sobreviveu por muita sorte quase sem sequelas (se levarmos em conta ter sido acertado por seis tiros de pistola 9mm).

Ora, no tal discurso a dona Cidinha apelou para a mais do que batida (no que diz respeito a ela) oratória: chamou o Ricardo de vagabundo, canalha, fez zombarias com o ataque sofrido pelo inimigo. Até este ponto, nada de novo no Reino de Avilan. Cidinha apenas estava apenas fazendo uso de seu talento mais conhecido.

O toque pitoresco desta história veio quando Ricardo Gama revidou as ofensas no mesmo tom. Foi processado por dona Cidinha por injúria. Neste momento entra em cena o vlogueiro Daniel Fraga que em defesa de Ricardo e do que considera (e eu também) verdadeiro conceito da liberdade de expressão postou no Youtube um vídeo, também espinafrando a deputada ilibadíssima, e tomou-lhe um processo nas ventas também.

Pessoalmente sou contra processos em virtude de expressão de opinião, mesmo quando envolvam ofensa direta. Acredito em liberdade de expressão em sua forma ampla e irrestrita. Também pessoalmente não sou fã em nenhuma medida de nenhum dos envolvidos, muito pelo contrário. Mas se há alguém neste país que não deveria apelar para o artigo 140 do Código Penal ou para as demais legislações em favor da honra jamais este alguém é a talentosíssima radialista Cidinha Campos.

É sui generis, quase não dá pra acreditar.

Written by Daniel

junho 26, 2012 at 1:43 am

Publicado em Sociedade

Não ria!

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Eu estou meio ranzinza pra humor nos últimos tempos, não sei se é sintoma da velhice, não sei se é efeito colateral do excesso de memes de graça duvidosa que tomaram conta da internet e da febre de comediantes “em pé” pra tudo que é canto, mas acho que meu sensor de piadas estragou. Não tenho conseguido rir nem das brigas entre o Kiko e o Chaves, quer dizer: o bagulho é sério.

Mas acho que ainda sei reconhecer uma boa piada, mesmo que não ria dela, e a piada do Rafael Bastos fazendo uma brincadeira com diversos significados da palavra “retardo” é boa, vai.

Em primeiro lugar usar “retardo mental” no lugar de “deficiência cognitiva” não é errado. A APAE ou boa parte das mães de pessoas com deficiência cognitiva podem não gostar do termo retardado, podem preferir “especial” mas por outro lado existem enciclopédias e cientistas que gostam do termo e não veem nada de errado com ele. Parece que o Ministério da Saúde do Brasil também não têm problema com essa nomenclatura, tanto que é assim que nomeia as pessoas “especiais” tratadas pela APAE: como portadoras de uma condição clínica chamada Retardo Mental: ora bolas, doenças têm que ter pelo menos um nome, ruim é a doença, não o nome ou o doente.

De qualquer modo, direito da APAE não gostar do popular, universalizado, claro e dicionarizado termo Retardo Mental (e de seus cognatos): eu também tenho implicância com algumas palavras, não gosto por exemplo de “transar” porque acho um modo meio de mãe classemedista católica romana dizer que a filha tá dando mais que xuxu na horta “sem pegar mal”, tipo uma gíria careta, sabe?

Pra mim “transar” rima com hipocrisia, embora eu tenha sim aprendido já lá no primário que isso á impossível. Também não gosto de “fazer amor”: prefiro foder, fuder, fazer sexo, dar umazinha, trepar, furunfar, meter, trocar o óleo, fazer um rala e rola. Mas nem por isso vou sair processando as mães que insistem na merda de dizer orgulhosas que “suas filhinhas ainda não estão transando (urrrgh) com os namoradinhos”.

Em segundo lugar Rafael Bastos não inovou no modo de fazer humor, e isso vai em sua defesa, desde que acho que sou gente que uma das formas mais usadas para fazer é humor é meter dois termos foneticamente parecidos ou idênticos, mas com significados distintos, um mais “leve” outro mais “pesado”, em uma mesma história… e misturar os significados dos dois na cabeça do ouvinte, causando uma breve confusão na sua mente, que é exatamente o que, após resolvido, vai provocar o riso. Melhor ainda se houver algum elemento sexual na história. Foi isso que o Rafael fez com os significados de retardado (portador de retardo mental) e retardado (demorado) e com sua alusão ao seu melhor amigo e companheiro de todas as horas.

Quanto à piada com aquela cantora insossa de músicas bregas rebolativas filha de um cantor desafinado e mais brega ainda eu não tinha era entendido a piada; até agora não entendi: ele comia o bebê porque ao comer a mãe estava socando dentro do receptáculo onde ora estava a criança? Ele comia o bebê porque ao cometer um ato bárbaro como comer a mulher de outro cara, ainda por cima estando esta grávida, ele se demonstrava um ser abjeto e imoral destes que comem criancinhas, tipo ateus e comunistas? Ele comia a Wanessa e o bebê porque ele não tinha nada pra falar na sua “deixa” e falou qualquer merda? De qualquer forma não era caso pra censura.

Agora, essa aí? Se ele ainda tivesse feito alguma insinuação de que portadores de retardo mental devam ser mortos… ou pelo menos agredidos, mas não, “Usei camisinha com efeito retardante e tive que internar meu pênis na Apae. Tá completamente retardado hoje em dia” é tão ofensivo às crianças “especiais” quanto “Usei camisinha com efeito refrescante e tive que dar Apracur pro meu bilau. Hoje ele acordou completamente resfriado” é ofensivo aos gripados.

Written by Daniel

fevereiro 3, 2012 at 10:41 pm

Publicado em Sociedade

A mais bela cena de casamento da ficção

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Björn Borg é um ídolo do esporte na Suécia, ganhou 5 vezes seguidas o Torneio de Wimbledon e outras 6 vezes conquistou o Aberto da França, um dos maiores tenistas da história.

Se no Brasil nomes como Guga e Senna são usados para batizar marcas de calçado e de roupa infantil, na Suécia a confiança nacional depositada no nome do herói Borg foi aproveitada por uma grife de roupa íntima, é claro, lhe pagando os devidos royalties.

Em 2008 esta grife resolveu veicular uma campanha publicitária ambientada em uma cena de casamento, talvez intencionando uma associação sublimnar com a noite de núpcias.

Fato é que a construção feita pelos publicitários foi de uma ternura, de uma perfeição nos detalhes, a emoção genuína e a expressão precisa dos atores (em dado momento, quando a moça entrando triunfante na igreja faz um aceno com a cabeça em direção aos convidados, eu não consigo evitar de responder, instintivamente, ao cumprimento), a luz matinal de um sábado ensolarado invadindo a arquitetura da catedral evangélica, o orgulho evidente dos convidados em terem sido escolhidos para partilhar da felicidade dos noivos, a felicidade mútua captada em close, a falta dos dentes de leite no sorriso da daminha de honra, a marcha nupcial…

Tudo neste casamento é tão perfeitamente disposto, que você percebe que existem alguns detalhes que são absolutamente insignificantes e que nós nos arriscamos a estragar a beleza de tudo se pensamos muito neles.

Written by Daniel

junho 6, 2011 at 2:01 pm

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