Cabeção de Nego

Archive for the ‘Religião’ Category

Christina Hoff Sommers, uma feminista que enxerga para além do próprio umbigo II

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Written by Daniel

novembro 17, 2012 at 1:38 am

Publicado em Religião

Reza braba

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Esta notícia não é fake e me deixou estupefato. Em pleno século 21 em um estado constitucionalmente laico e democrático como o Brasil uma lei municipal acaba de ser aprovada por unanimidade obrigando a todos os professores do ensino fundamental a entoarem cantigas de louvor a deidades das religiões afro-brasileiras tais como Oxossi, Índia Jupira e Exu Cemitério das Almas.

De agora em diante crianças e professores serão obrigados por lei a prestar louvores a orixás, guias e caboclos: pouco importa se em âmbito pessoal tais cidadãos sejam evangélicos, católicos, islâmicos ou ateus: se não quiserem ter problemas com a lei precisarão baixar a pombaxira e cantar direitinho suas cantigas. O projeto foi proposto pelo babalorixá José Airton de Araújo que atua como edil naquela cidade.


Ponto de Bomba-Gira – Moça bonita

De vermelho e negro,
Vestindo à noite,
O misterio traz.
De colar de ouro e brinco
Dourado a promessa faz.
Se é preciso ir,
Você pode ir.
Peça o que quiser,
Mas cuidado, amigo,
Ela é bonita, ela é mulher. (2x)

E no canto da rua zombando,
Zombando, zombando está.
Ela é moça bonita,
Oi! girando. Oi! girando,
Oi! girando lá!

Oi girando laroyê!
Oi girando laroyá!
Oi girando laroyê!
Oi girando lá!


Achou absurdo? Não está acreditando numa história destas?

É, você me pegou: a notícia na verdade não é bem assim. As entidades que deverão receber louvor por força da lei na verdade são Jeová e Jesus Cristo; o babalorixá na verdade é um vereador evangélico. O resto é verdade. Crianças e funcionários da educação da cidade de Apucarana no Paraná estão na iminência de sofrerem por parte de seus governantes um crime contra a liberdade religiosa: está em fase final de tramitação um projeto de lei que obriga todos os professores e alunos de escolas públicas e particulares em todo o município a rezarem o Pai Nosso antes de cada aula.

A lei é uma cópia de outra que havia sido aprovada no começo do ano na cidade baiana de Ilhéus e que já foi devidamente suspensa pela Justiça por ter sido declarada inconstitucional.

De qualquer modo, a notícia assusta. Assusta porque serve de testemunho sobre como e quão rápido tem crescido o fantasma da teocracia por estas bandas sobretudo entre pentecostais e neopentecostais. O cristianismo brasileiro tem sido inflado por um grupo cada vez maior de pessoas que acredita que o seu direito à fé ultrapassa e esmaga o direito alheio sobre qualquer coisa. Esta afirmação é facilmente evidenciada quando observamos no cotidiano como sobretudo nestes dois segmentos do protestantismo se lida com a questão do silêncio: são as caixas de som em volumes absurdos viradas para o lado DE FORA dos templos, são às pregações aos berros no transporte coletivo, são pessoas ouvindo Regis Danese em seus aparelhos portáteis sem fones de ouvido em locais públicos… são símbolos de que para boa parte deste grupo (regras em geral admitem excessões, inclusive esta) o direito alheio se submete à sua crença: tudo que for feito em nome de Gzuis está previamente justificado na cabeça deste tipo de religioso, inclusive impedir os vizinho de dormir por conta de vigílias barulhentas em locais sem isolamento acústico; inclusive incomodar a viagem de centenas de trabalhadores esgotados voltando de um dia de trabalho; inclusive propor, aprovar e apoiar um projeto de lei que faz com que cidadãos dos mais diversos credos ou não credos sejam submetidos aos rituais da sua crença.

Não por coincidência os proponentes em ambas as cidades são membros de denominações evangélicas “renovadas”.

É de pequenos eventos como este projeto de lei que governos totalitários como o Irã ou a Arábia Saudita emergem e o start é exatamente quando um grande número de pessoas passa a acreditar que sua escolha religiosa lhe confere direitos especiais ante seus concidadãos, como tendo visto no meio pentecostal/neopentecostal.

E é ainda mais alarmante porque em uma câmara de representantes eleitos não se ouviu uma voz sequer de contestação ao projeto teocrático.

Então, já que não há remédio, obedeçamos a lei, e oremos!

 

Pai nosso da Terra

Pai nosso que estais na terra
Simplificado seja vosso nome
Esta em mim o vosso reino
Que seja minha tua vontade

Bendito ou maldito!
Se o que eu mato eu como
A espera nossa de cada dia
Nos dai hoje e castigai
Aqueles que vivem
Do sacrifício dos teus

Sem que perdoe os teus devedores
Pai nosso da Terra
Livrai-nos da maldição dos fracos
Livrai-nos da maldição dos fracos
Amém

 

Written by Daniel

julho 2, 2012 at 11:55 pm

Publicado em Religião

Adorei as almas!!!

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Hoje é dia de preto velho, um conjunto de entidades simpáticas da umbanda representadas por senhores e senhoras negros com feições de avós cheio de experiência de vida e bondade acumulada. Well, não sou de umbanda, não sou de candomblé, não sou de tuque tuque nenhum e não adoro às almas, existam elas ou não. Mas saber desta data comemorativa me lembrou de uma das muitas canções que fazem parte da trilha sonora cabal da minha vida. O poema de João Ricardo é sintético e diz:

“Aquele Preto, tão Preto/co’aquela barba branca, tão preta/e aquele olhar tão negro/de quem espera ganhar/um sorriso incolor” e acaba por aí.

Bela ode a desimportância da raça: a descrição tão firme da negritude do preto velho, a ênfase acentuada pelo contraste de sua barba outrora também negra e agora totalmente desbotada, a repetição insistente de que a personagem homenageada é preta, tão preta e de um olhar, para “piorar”, tão negro é só para revelar, no último verso, que todos estes detalhes são irrelevantes e que tudo que o negro em questão merece é receber um sorriso que não leve em consideração esta desimportância toda, mas toda a sua ternura e sabedoria, é o tal do sorriso incolor que só o poeta poderia nomear tão bem.

Written by Daniel

maio 13, 2012 at 6:38 pm

Publicado em Religião

Sheeps (some different ones)

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Written by Daniel

junho 10, 2011 at 12:01 am

Pois é só de Gustav Mahler que se faz a vida

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Eu não sei quanto à sua, de quantos medos e prazeres e, sobretudo, de quais medos e prazeres: sei também que não nasci ao som da feiura perfeita de um Miles Davis, e foi absoluta falha minha, da qual sei que jamais merecerei perdão. Mas é de álcool, e é de vida, e é de tentar perder medos e abandonar anseios… não vou te acompanhar, desculpe-me. Vá sozinha, não: eu vou sozinho; vá com quem melhor lhe apraz, com quem melhor lhe couber, com quem topar… pouco me importa.

É porque ontem eu ouvi que não precisava fazer sentido e eu achei que não e apostei de verdade que, muito ao contrário do que vocês pensam, para Marcel, uma roda de bicicleta ou um mictório faziam, e eu juro por deus, todo o sentido, todo o sentido do mundo.

.

Se não fossem estes exatos 11 minutos e 43 segundos o que teria sido da minha vida? Revele-me o que teria sido dela sem aqueles outros 11’49”.

Não é que nada tenha sentido, não é esse niilismo tão intenso quanto o único que você consegue compreender, é só que eu não preciso inventá-lo, o Diabo do sentido.

Em quê a beleza de um Mahler? Em quê a feiura explêndida de um Davis? Em quê este mundo maravilhoso, indecifrável, sublime, imenso… falha? Por que eu precisaria de mais que Davis, Mahler e uma dose de Ballantines, para compreender a essência do quanto eu ainda for?

Ouvindo Feio* de Miles Davis e Trauermarsch (5. Sinfonie) de Gustav Mahler: bebendo algumas latas de Antarctica. Esperando a vida chegar de volta do trabalho.

Written by Daniel

junho 4, 2011 at 12:44 am

O polaco e o germano

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Com a recém beatificação do papa que lutou na Segunda Grande Guerra do lado dos aliados eu fico pensando:  que raios de título cairia bem em Karoline Wojtyła? Será que os responsáveis pela criação dos falsos milagres que comprovarão que João Paulo é santo já pensaram nisso? Considerando que enquanto ainda atormentava o planeta dos vivos, João Paulo II era um ferrenho propagandista do não uso da camisinha, acho que seria um bom padroeiro dos aidéticos e dos filhos indesejados: fica aí a dica.

E por falar no papa polonês, quando tempo vai demorar para que comece o processo de canonização do papa que se enfilerou nas alas da juventude hitlerista? Eu fico torcendo muito para que o processo se inicie logo, sobretudo quando me lembro de que o primeiro passo para o início dos trâmites é que o dito cujo vá pro raio que o parta.

Mas será mesmo o Benedito que quando Ratzinger decidir transformar o mundo em um lugar definitivamente melhor (desaparecendo para sempre dele) haverá algum católico doido o suficiente para declarar a sua santidade?

Por mais das dúvidas, santo eu não sei se ele vira, mas o título está no papo: padroeiro das travecas enrustidas e dos molestadores de crianças.

Written by Daniel

maio 28, 2011 at 12:42 am

Muitas claps para Tim Minchin

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Tim Minchin é um tipo australiano um tanto quanto bizarro: uma espécie de Jack White do cabelo parafinado com chapinha de olhos esbugalhados: costuma ser pianista e humorista e compositor e dramaturgo e piadista stand up e ateu e cientificista e racionalista.

Grande parte do tempo que ganhei assistindo vídeos do Youtube até hoje foi vendo e revendo os vídeos deste ruivo nerd de Perth. Aí abaixo alguns dos seus vídeos, incluindo Storm, que é ambientado em uma daquelas agradáveis conversas que com certeza você já teve com algum espiritualista cristão natureba vegetariano zen, e que acabei de assistir pelas primeiras vezes através do Portal Ateu.

Com vocês, Tim Minchin:


Fazendo uma aposta impossível de perder:


Em uma música que fala de como é o seu Natal, que foi gravada especialmente para uma destas coletâneas promocionais de final de ano, e que, claro, não foi aprovada pela comunidade cristã australiana (provavelmente por ser humana demais, e por evocar bons sentimentos que não duram apenas por uma noite, mas a vida inteira):


Em uma justa homenagem ao Papa Ratzinger, o santo protetor dos molestadores:


E no realmente fantástico Storm:

Written by Daniel

maio 28, 2011 at 12:00 am

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