Cabeção de Nego

Christina Hoff Sommers, uma feminista que enxerga para além do próprio umbigo.

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É fácil ser antiracista quando você é um negro vivendo na África do Sul de 1960, é muito óbvio ser feminista quando você é uma mulher dos anos 20 impedida de votar ou estudar ou trabalhar ou ter opiniões.

Christina Hoff Sommers é do tipo de pessoa nem tão fácil de se encontrar: numa sociedade em que as mulheres estão definitivamente por cima da carne seca e que a cada dia exigem e recebem mais e mais privilégios ela se empenha na posição de combate contra o movimento hegemônico (que hoje é) de sexismo às avessas chamado de feminismo.

Na verdade ela divide o feminismo em dois grupos: um ela chama de feminismo de igualdade (em que ela afirma estar inclusa, e eu também, embora prefira o termo neutro “anti-sexismo”) onde inclui todos os indivíduos que advogam por igualdade civil e legal entre gêneros e o outro que ela chama de feminismo de gênero, este feminismo das propagadoras da Lei Maria da Penha e do vagão feminino que tanto me enoja (e que ela passa a vida a combater) onde inclui aqueles que defendem a manutenção e criação privilégios para as mulheres sempre ávidos em combater uma desigualdade por outra.

Não é a única intelectual de relevo a ter percebido os excessos e falácias do discurso e da prática feminista contemporânea, aliam-se a ela nomes de relevo como a escritora Camille Paglia, mas deve ser a que é mais ativa em sua bandeira de “igualdade sempre a não depender de quem está sendo injustiçado”.

 Poderia ficar quietinha no seu canto, aproveitando um momento em que as suas cogêneres trabalham quase sempre menos para ganhar a mesma coisa, se aposentam mais cedo, ficam com mais de 80% das guardas em caso de separação, sofrem penas menores quando cometem os mesmos crimes, agridem mais do que são agredidas dentro do lar et cetera.

Mas dona Sommers não é daquele tipo de gente que só enxerga a desigualdade quando é no próprio lombo que o chicote está estalando, não está bom para ela quando numa sociedade dita igualitária alguns indivíduos sempre parecem ser mais iguais que os outros. Por isso acho que Christina merecia mais traduções em português, o muito que achei foram alguns vídeos legendados no Youtube, nenhum dos seus livros (que são best-selleres em seu país) como “Who stole feminismo” (‘Quem vendeu o feminismo?”) ou “War agaist boys” (A guerra contra os meninos”) foi traduzido para a língua de Caetano Veloso.

Não posso fazer muito quanto a isso, mas dá para gastar uns minutos a traduzir este artigo escrito por ela para o Huffington Post sobre o discurso falacioso dos feministas sobre a alegada e não sustentável em termos acadêmicos injustiça salarial entre homens e mulheres.

Mrs. Sommers demonstra que se mulheres ganham menos que homens é porque escolhem trabalhar em atividades menos laboriosas (serviço e comércio contra indústria e extração no caso dos homens), que exigem menos especificidade técnica e com maior relação de profissionais disponíveis por vagas no mercado (humanas no caso delas contra exatas no caso deles) e pela diferença de carga horária (homens trabalham muito mais hora por dia, na média) e não pelo mercado ser controlado por mãos misóginas.

Não mencionou ainda que as mudanças ainda estão em trânsito e que ao que tudo indica daqui a muito pouco tempo mulheres não só trabalharão muito menos que os homens (como já trabalham) e atividades menos laboriosas (como já é feito) como ganharão salários significativamente maiores devido à outra lacuna entre gêneros que tem se formado, a educacional.


O mito da lacuna salarial desmascarado (por feministas)

Christina Hoff Sommers para o Huffington Post

Se você acredita que as mulheres sofrem discriminação salarial sistêmica, leia o novo estudo da Associação Americana de Mulheres Acadêmicas (AAUW) “Graduando-se para uma lacuna salarial” . Ignore as estratégias verbais e considere profundamente olhar para os números. As mulheres estão perto de atingir a meta de salário igual para trabalho igual. Elas podem já ter atingido.

Quantas vezes você já ouviu que, para o mesmo trabalho, as mulheres recebem 77 centavos para cada dólar do que um homem ganha? Esta alegada injustiça é a base para o dia Dia da Igualdade Salarial observado a cada ano, em meados de abril para simbolizar quantos dias a mais as mulheres têm que trabalhar para recuperar o atraso em relação aos ganhos dos homens do ano anterior. Se a AAUW estiver correta, o Dia da Igualdade Salarial terá agora de ser transferido para o início de janeiro.

A AAUW agora se alia com os economistas sérios que acham que quando você usa as diferenças relevantes entre homens e mulheres  (ocupações, níveis de graduação, período de tempo em local de trabalho) como controles epistemológicos a diferença salarial estreita a ponto de desaparecer. A diferença de 100 para 77 é simplesmente a diferença média total entre os rendimentos de homens e mulheres empregados. O que é importante é que a diferença de salário “ajustado”- o raciocínio que controla todas as variáveis relevantes. É isto o que o novo estudo AAUW explora.

Os pesquisadores AAUW observaram indivíduos com formação universitária do sexo masculino e feminino, um ano após a graduação. Depois de controlar vários fatores relevantes (embora alguns foram deixados de fora, como veremos), eles descobriram que a diferença salarial diminuiu para apenas de 23 dólares 6,6 dólares. Quanto desta diferença pode ser atribuída à discriminação? Como a porta-voz AAUW Lisa Maatz candidamente disse em uma NPR entrevista, “Nós ainda estamos tentando calcular isso.”

Um dos melhores estudos sobre a disparidade salarial foi lançado em 2009 pelo Departamento do Trabalho dos EUA. Ele analisou mais de 50 artigos revisados por pares e concluiu que a diferença de 23 centavos de salário por dolar “é, possivelmente, resultado de escolhas individuais que estão sendo feitas por ambos os trabalhadores do sexo masculino e feminino.” Até agora, os grupos feministas ignoravam ou replicavam tais achados.

“Na verdade”, diz o Centro Nacional de Legislação Feminina, “estudos fidedignos mostram que, mesmo quando toda a carreira relevante e características familiares são levados em conta, ainda existe uma lacuna significativa, inexplicável entre rendimentos de homens e mulheres.” Não é bem assim. O que o estudo do Departamento de Trabalho 2009 mostrou foi que, quando os controles adequados estão no lugar, a diferença salarial inexplicável (ajustada) é algo entre 4,8 e 7 por cento. O estudo AAUW novo é consistente com estes resultados.

Mas esta lacuna inexplicável, embora muito menor do que os 23 centavos incessantemente divulgados, ainda não é uma grave injustiça? Não deveríamos procurar formas de obrigar os empregadores a pagar às mulheres estes 5 ou 7 por cento de diferença? Não antes de descobrir a causa. A AAUW observa que parte desta nova lacuna de 6,6 centavos por dolar pode ser devida à supostamente menor capacidade das mulheres em negociar – e não empregadores sem escrúpulos. Além disso, a AAUW de 6,6 centavos inclui algumas grandes diferenças salariais legítimas mascaradas pelo excesso de categorias ocupacionais agrupadas. Por exemplo, os pesquisadores classificam Ciências Sociais como uma (única) carreira e relatam que, em tal carreira, as mulheres ganhavam apenas 83 por cento do que os homens ganhavam. Isso pode parecer injusto … até que você considere que a Ciências Sociais (no estudo) inclui tanto a Economia quanto Sociologia.

A carreira de Economia (cuja porcentagem de estudantes e profissionais homens é de 66) oferece um salário médio de US $70.000, a carreira de Sociologia (68 por cento mulheres), oferece uma média salarial de US $40.000. A economista Diana Furchtgott-Roth, do Instituto Manhattan aponta incongruências semelhantes. O estudo da AAUW classificou trabalhos tão diversos como advogado, bibliotecário, atleta profissional e comunicador social debaixo de uma mesma rúbrica – “outros empregados de escritório” .  Furchtgott-Roth contesta: “Então, o relatório AAUW compara o salário de advogados do sexo masculino com o de bibliotecários do sexo feminino; dos atletas do sexo masculino com o das assistentes. Isso não é uma comparação entre as pessoas que fazem o mesmo trabalho.”. Com categorias mais realistas e definições, a diferença de 6,6 restantes certamente diminuir para apenas alguns centavos, no máximo.

Poderia a defasagem salarial por gênero vir a ser zero? Provavelmente não. A AAUW corretamente observa que ainda há evidência de viés residual contra as mulheres no local de trabalho. No entanto, com a diferença se aproxima de alguns centavos, não há muito espaço para a discriminação. E como os economistas frequentemente nos lembram, se fosse realmente verdade que o empregador poderia pagar menos para Maria pelo mesmo trabalho que o João faz, os empresários inteligentes demitiriam todos os seus funcionários do sexo masculino, substituiriam pelas fêmeas, e desfrutariam de uma vantagem enorme mercado.

Grupos de mulheres irão afirmar que mesmo se a maior parte da diferença salarial puder ser explicada pela escolhas das mulheres, essas escolhas não são verdadeiramente livres. Mulheres que se graduam em sociologia, em vez de economia, ou que escolhem trabalhos que permitam mais atenção à família sobre aqueles que pagam melhor, mas oferecem menos flexibilidade, podem estar sendo impelidas por estereótipos culturais. De acordo com a Organização Nacional de Mulheres (NOW), poderosos estereótipos sexistas “orientam” homens e mulheres “para a educação, treinamento e planos de carreira diferentes” e diferentes papéis familiares. Mas são as mulheres americanas realmente tão escrava de estereótipos como seus protetores feministas reivindicam? Não são mulheres capazes de compreender suas preferências reais e tomar decisões por si mesmas?  O NOW precisa demonstrar, não dogmaticamente afirmar, que as escolhas das mulheres não são livres. E precisa explicar por que, em contrapartida, as escolhas de vida que promove são as autênticas – as mulheres realmente querem, e que irá torná-las mais felizes e realizadas.

Não vai ser nada fácil para o AAUW e seus aliados abandonar a idéia de injustiça de gênero sistêmica. Os funcionários da AAUW estão fortemente tentandos a sustentar a narrativa de “más notícias para as mulheres”. De acordo com o material publicitário de “Graduando-se para uma lacuna salarial”, “A AAUW divulgou hoje um novo estudo mostrando que apenas um ano fora da faculdade, milhares de mulheres recebem  82 centavos para cada dólar pago a seus colegas masculinos. Mulheres recebem menos do que os homens mesmo quando eles fazem o mesmo trabalho e se formam na mesma área. ” Muitos jornalistas parecem ter lido e divulgado o press release da AAUW, em vez de sua pesquisa.

Aquilo é só a publicidade. Se foquem nos números.

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Written by Daniel

novembro 16, 2012 às 3:44 pm

Publicado em Sexismo, Sociedade

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