Cabeção de Nego

Adorei as almas!!!

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Hoje é dia de preto velho, um conjunto de entidades simpáticas da umbanda representadas por senhores e senhoras negros com feições de avós cheio de experiência de vida e bondade acumulada. Well, não sou de umbanda, não sou de candomblé, não sou de tuque tuque nenhum e não adoro às almas, existam elas ou não. Mas saber desta data comemorativa me lembrou de uma das muitas canções que fazem parte da trilha sonora cabal da minha vida. O poema de João Ricardo é sintético e diz:

“Aquele Preto, tão Preto/co’aquela barba branca, tão preta/e aquele olhar tão negro/de quem espera ganhar/um sorriso incolor” e acaba por aí.

Bela ode a desimportância da raça: a descrição tão firme da negritude do preto velho, a ênfase acentuada pelo contraste de sua barba outrora também negra e agora totalmente desbotada, a repetição insistente de que a personagem homenageada é preta, tão preta e de um olhar, para “piorar”, tão negro é só para revelar, no último verso, que todos estes detalhes são irrelevantes e que tudo que o negro em questão merece é receber um sorriso que não leve em consideração esta desimportância toda, mas toda a sua ternura e sabedoria, é o tal do sorriso incolor que só o poeta poderia nomear tão bem.

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Written by Daniel

maio 13, 2012 às 6:38 pm

Publicado em Religião

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