Cabeção de Nego

O combinado nunca sai caro (parte I)

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Se tem uma coisa no reino da sexualidade que não me estimula de modo algum é a idéia de fazer sexo com puta: o melhor sinônimo que conheço para sexo pago é punheta cara.

Topa?

Entretanto, acho que a atividade da puta e do gigolô deveria ser considerada tão legítima quanto a atividade de vender bíblias ou fabricar bala de tamarindo O fato de eu achar tanto uma quanto a outra coisa horríveis não deve ser suficiente para que se as considere imorais ou criminosas.

Prostituição é uma atividade econômica baseada na prestação de serviços entre um ente chamado puta/gigolô e outro ente chamado cliente no qual ambos acertam pacifica e antecipadamente um preço  levando em conta o tipo e serviço prestado (com boquete ou sem boquete, com cuzinho ou sem cuzinho, passivo ou ativo…) e o tempo dedicado (relax de 15 minutos, relax de 30 minutos, balada a noite toda…). É portanto uma atividade que não envolve a priori qualquer ato de violência e que nem faz suspeitar a princípio de qualquer grave perigo ou dano aos próprios participantes e muito menos a terceiros. É claro que como diversas outras atividades econômicas a prostituição tem seus riscos e com em diversas atividades estes riscos podem ser minimizados se tanto fornecedor quanto cliente tomarem algumas precauções.

De qualquer modo, falar no Brasil que a prostituição deve ser legal é chover no molhado: embora tenha muita gente que ache que deveria, no Brasil não é ilegal se prostituir

Mas… pasme, é ilegal ajudar alguém que queira se prostituir a fazê-lo.

Pense, se você fosse uma prostituta talvez você achasse legal oferecer seus préstimos em um lugar construido especificamente para este fim: com toda a infra-estrutura necessaria: camas, cadeiras eróticas, brinquedos, boate. Talvez você gostasse ainda da idéia de ter alguém que divulgasse seus serviços conjuntamente com o de outras concorrentes em jornais e revistas, que criasse uma logomarca que identificasse o seu serviço e o de outras colegas, resultando em uma propaganda mais ampla e eficaz e a um custo menor; talvez você considerasse que é boa idéia operar em um local conhecido e no qual os potenciais fregueses sabem que existem muitas fornecedoras do que trabalhar num conjugadinho escondido no Centro da cidade do qual ninguém ouviu falar ou sabe como chegar; talvez você pensasse ainda que é mais seguro fazer michê em um lugar lotado de gente conhecida do que ir prum quarto qualquer da cidade, sozinha, com um completo desconhecido.

Se você pensasse assim você teria considerado praticamente todas as razões que levam um comerciante a optar por instalar seu negócio num shopping e não numa loja de rua. Na verdade embora os estabelecimentos destinados a prostituição no Brasil sejam chamados desde há muito tempo de bordéis em que alguém poderia renomear para shopping de puta. Acontece que estranhamente a legislação brasileira não considera de modo algum que o comerciante seja a princípio uma vítima da exploração do administrador do shopping onde instalou a sua loja mas não admite que a quenga de bordel(ou shopping de puta) possa ser qualquer coisa que não vítima do cafetão( ou administrador do shopping de puta).

Shopping de Puta legalizado em Amsterdam, nos Países Baixos.

Isto implica que de modo bem imbecil a lei brasileira estabelece como criminoso todo o indivíduo que ofereça infra-estrutura para que um grupo de garotas ou garotos de programa exerça sua atividade econômica mediante acordo prévio e pacificamente assumido que estipule vantagens e obrigações de ambos os lados.

E é aí que chegamos no ponto crucial desta divagação: o acordo prévio. Uma prostituta é uma profissional honesta quando oferece o aluguel de alguma coisa que realmente é dela a um preço previamente combinado: um boquete é x reais, um relax completo é y reais, com cuzinho x+y reais. Compra quem quiser, eu como nunca quis nunca comprei.

O cafetão também deveria ser considerado quando também oferecesse o aluguel de um conjunto de bens e serviços que efetivamente prestasse mediante uma taxa que sendo fixa ou variável também fosse pré-acordada tendo a prostituta a opção de pagá-la e usufruir dos benefícios ou não pagá-la e ir se prostituir por conta própria.

Puta acertando as contas com dona de um bordel legalizado em Nevada/USA.

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Written by Daniel

maio 11, 2011 às 12:53 am

Publicado em Religião, Sexismo, Sociedade

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