Cabeção de Nego

Negro, pobre e contra cotas.

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Acho extremamente bonita a posição deste professor da UERJ e a da sua filha expressas no último parágrafo deste artigo: como já falei lá no post sobre a Christina Hoff Sommers, são realmente louváveis as pessoas que conseguem defender posições não porque seriam diretamente beneficiadas por elas mas porque acreditam que por trás de suas ideias está um plano de justiça comum, de ganho para toda a sociedade.

Dito isto, estou no extremo oposto: sou negro e muito pobre mesmo, mas não acredito na justiça ou na efetividade do sistema de cotas racial e sequer do sistema de cotas social (que já apoiei com ressalvas no passado, mas hoje sou contra).

Fui estudante cotista da mesma UERJ em que o autor do artigo linkado acima leciona (embora nem tivesse precisado já que minha nota foi bem maior do que a nota de corte da ampla concorrência), hoje estudo na UFRJ (não cotista), passei ainda neste meio tempo por um curto período na UFF (não cotista).

O meu principal ponto contra as cotas é que (pelo que tenho visto na minha experiência pessoal, na absoluta falta de estudos academicamente legítimos sobre o tema, é só com ela que posso trabalhar) ela não tem beneficiado o seu alvo platônico: no campo das ideias, num mundo puramente platônico, o grupo de pessoas beneficiadas pelo sistema de cotas seriam tipicamente filhos de lavadeiras e pedreiros, moradores de bairros pobres ou favelas, gente que estudou em escolas estaduais suburbanas típicas onde faltam professores e equipamentos didáticos… é este o “cotista” que aparece nas propagandas oficiais, é este o “cotista” que é defendido nas reuniões dos DCEs, sindicatos e outros bankers típico da esquerda; e estas pessoas seriam “privilegiadas” apenas no sentido de equilibrar a disputa contra jovens bem vividos, filhos de pais com ensino superior, moradores de bairros nobres, educados em escolas de ponta com amplos recursos didáticos.

Existem dois problemas nesta conta:

1º – Nossa sociedade não é tão dividida assim, não existe uma Belíndia brasileira de fato, existem um monte de meios termos, existe sim uma Bélgica na Vieira Souto e uma Índia na margem continental da Ilha do Fundão, mas existem Colốmbias, Grécias, Portugais, Espanhas, Chiles, Venezuelas que não entram na conta quando se faz este cálculo dualista, quando se desenha o Brasil como sendo uma sociedade meramente dividida entre ricos e pobres, neste sentido eu acredito que um sistema de bonificações progressivas em que, por exemplo, um aluno com renda familiar de menos de 1 salário per capita ganhasse 5 pontos de bônus na nota final do vestibular e um aluno com renda menor que 3 salários ganhasse 2 pontos, em que um aluno que estudou em escola pública desde a primeira série ganhasse outros 5 pontos e outro que tivesse estudado em pública só no ensino médio ganhasse 2 pontos daria mais conta, ao menos no campo das ideias, destas nuances de nossa pirâmide social do que um sistema tão pão-pão,queijo-queijo, tão linguiça ou salsicha quanto o sistema de cotas atual.

2º , e mais importante: o sistema de cotas não tem facilitado o acesso de pobres à universidade, tem facilitado a vida dos espertos, dos malandros, dos que sabem usar o jeitinho brasuca para desde furar fila do bandejão até receberem restituição de tudo que pagaram de imposto de renda falsificando comprovantes de cuidados médicos e declarando o papagaio e o poodle como dependentes. A maioria dos cotistas que conheço é gente de razoavelmente a muito bem vivida, em geral filha de pais graduados, que estudaram a vida inteira em boas escolas particulares e apenas o ensino médio em escolas públicas de referência (IFRJ, FIOCRUZ, CP2, Colégio Militar, CEFET, CAp-UERJ…) e que mentiram, quase sempre omitindo as rendas dos pais, para passarem de modo mais fácil.

Os desafortunados de verdade trocaram a disputa desleal com os ricos egressos do Colégio São Bento e do Notre Dame pela disputa desleal com os no mínimo remediados e muito espertos egressos do Colégio Pedro II, do Colégio Militar, do CEFET.

Para além disso, tenho mais um monte de ressalvas sobre os programas de inclusão acadêmica, sobretudo o sistema de cotas racial e o PROUNI, como a legitimização da ideia de inferioridade intelectual dos negros, o reforço do sentimento de que com jeitinho brasileiro e lei de gerson você sempre se dá bem, o direcionamento do dinheiro público para criar um “novo” tipo de coronelismo político, a possibilidade da redução da produtividade acadêmica com a redução da exigência para ingresso…

Ficam pra próxima…


Curiosamente poucas horas depois de publicar mais este texto pra ficar perdido na websfera leio uma matéria no G1 sobre um novo “escãndalo” sobre o sistema de cotas: um monte de estudantes, a maioria meninas, a maioria loiras, foram pegas pra cristo pelo MP do Rio por terem se declarado negras no vestibular da UERJ. 

Alguns pontos:

1. é quase unânime no sistema de comentários do G1 a opinião de aconteceria menos se o sistema de cotas fosse meramente social; não creio, é tão fácil declarar apenas a si próprio ou apenas a mãe e não o pai na composição familiar (e desta forma não ultrapassar o limite de renda estipulado pelas regras do certame); e isso tem sido feito amplamente desde que os sistemas de cotas foram instituídos.

2. discusões sobre moralidade ou eticidade da prática a parte, nenhum dos jeitinhos pode ser considerado ilegal: nem mentir a renda (no caso de pós-adolescentes que não tenham renda própria, que é o público alvo dos vestibulares) nem se declarar negro não sendo. Como o reitor da UERJ disse, não há nada a se fazer quanto a alunos brancos que se declaram negros, de acordo com o estatuto racial. A questão da composição familiar é um pouquinho mais complicada, mas existe uma dificuldade prática de provar que alguém está mentindo em sua composição familiar, ao menos quando todos forem adultos. Não existe uma definição objetiva de quais circunstãncias tornam 4 adultos membros de uma mesma família, a coisa do ponto de vista legal é (e deve continuar sendo) um tanto quanto flexívele isso permite, como dito acima, que se faça os melhores arranjos (no sentido de dar um jeitinho de entrar nas cotas) possível.

Written by Daniel

março 29, 2014 at 3:27 pm

Publicado em Política, Sociedade

Reparou como os velhos vão perdendo a esperança?

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Hoje a pri­meira grande con­quista do mo­vi­mento está sendo co­me­mo­rada: os qua­tro prin­ci­pais go­ver­nan­tes do Rio e de São Paulo anun­ci­a­ram que vão re­du­zir as pas­sa­gens e como meio de evi­tar o pre­juízo às em­pre­sas cri­a­rão sub­sí­dios para com­pen­sar o não au­mento (ou seja, para cada vi­a­gem feita por um ci­da­dão o go­verno pa­gará às em­pre­sas, com o di­nheiro de im­pos­tos, os tais 0,20 da dis­cór­dia).

Assim fi­cou todo mundo fe­liz: os em­pre­sá­rios de trans­porte que man­ti­ve­ram sua mar­gem de lu­cro in­to­cada; os go­ver­nan­tes que en­con­tra­ram uma so­lu­ção po­pu­lar e que pode ga­ran­tir al­guns vo­ti­nhos no fu­turo; a grande massa dos ma­ni­fes­tan­tes ino­cen­tes úteis que são in­ca­pa­zes de per­ce­ber que afinal trocou-se seis por meia dú­zia; os ma­ni­fes­tan­tes lí­de­res que têm agora a faca e o queijo na mão para se tornarem os próximos Lindbergs Farias (oi, Mayara Vivian?); e o movimento estudantil que agora tem mais uma glória para contar além da derrubada (só que não) do Collor e da invenção de uma das leis mais estúpidas do país: aquela que exige que não estudantes paguem o dobro e que estudantes paguem a metade do dobro em eventos artísticos.

Estão todos de parabéns, legal ,)

Written by Daniel

junho 20, 2013 at 1:42 am

Publicado em Sociedade

Mãe, morango é fruta ou flor?

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Se você tem um filho beirando a 6ª série é possível já ter sido surpreendido por ele com esta pegadinha, não? Na verdade ele quer que você responda que é claro que sim para ele poder dizer orgulhoso “é nada, morango é flor, tomate que é fruta, meu professor de ciências falou”

Pois é, eu não sei de onde partiu a moda mas o fato é que o tomate e o morango foram eleitos para protagonizar as pegadinhas de crianças e adolescentes ávidos por mostrar que aprenderam alguma coisa de novo nas aulas de ciências aos seus parentes mais velhos. E, de certa forma, isto é legal porque evidencia ao mesmo tempo a curiosidade infantil ante este mundo cheio de mistérios e como a percepção imediata muitas vezes não se sustenta a uma observação mais apurada.

De qualquer forma, sinto informar que são dois equívocos: tomate não é fruta e o morango, este sim, sempre foi e continua sendo, a despeito do que o professor de biologia do seu pequerruxo ensinou, uma fruta deliciosa e super saudável.

A confusão nasce da soma de dois fatores. Primeiro, em biologia os frutos são as estruturas formadas a partir de uma flor cujo ovário foi polinizado e se desenvolveu formando um corpo geralmente carnudo o qual possui uma ou algumas sementes. Segundo: alguns professores de biologia talvez tenham alguma dificuldade com o domínio do idioma, há de se lembrar que são campos distintos do conhecimento e ninguém é expert em todo tipo de saber ao mesmo tempo.

Vamos começar a descascar esta manga apontando para uma minúscula diferença nas palavras negritadas acima: fruta e fruto. Em língua inglesa ambas as palavras são traduzidas como fruit, ambas vêm do latin fructo, mas a língua portuguesa deu uma facilitada nas coisas fazendo com que, por conta destes a e o diferenciais, fiquemos diante de uma paronímia: fruta e fruto são palavras parecidas na escrita mas que têm significados distintos: há frutas que não são frutos, há frutos que não são frutas e há muitos frutos que também são frutas.

Chamamos de fruta às estruturas doces e carnudas, geralmente de cores vivas e que em geral se pode comer cruas, costumam ser ideais para o lanchinho, para fazer sucos e para servir na sobremesa in natura ou em preparados como doces, flans, pudins. Já a definição de frutos é aquela dada dois parágrafos arriba, então não temos a mesma palavra nem o mesmo significado e tampouco o mesmo contexto. Fruta é uma palavra do domínio alimentar, o seu uso faz sentido em uma feira livre, em um sacolão, em uma cozinha de restaurante ou na mesa da família reunida tomando café da manhã e pode remeter a alimentos como o caju, a amora, o abacaxi, a maçã ou a jaca apesar de (acredite) nenhuma destas ser um fruto.

Já fruto é uma palavra do domínio científico, o seu uso faz sentido no livro de biologia do 2º ano, no laboratório de macroestrutura vegetal  da UFRJ ou nos seminários de botânica da Unicamp e pode remeter a estruturas como a vagem do feijão, o pontinho marrom na casca do morango, a beringela ou o miolo de maçã que jogamos no lixo.

Mas se fosse como na língua inglesa? E se a palavra para representar as frutas fosse a mesma utilizada para representar os frutos? Ainda assim estaria errado dizer categoricamente que morango não é fruta, neste caso estaríamos diante de uma homonímia e a decisão iria depender do contexto: quando a sua avó fosse à feira e pedisse pro feirante fazer uma sacola de frutas variadas o vendedor poderia colocar uma caixinha de morangos na sacola mas quando o seu professor pedisse exemplos de frutas das angiospermas você não poderia usar o morango como exemplo, mas sim suas sementinhas.

Ia ficar um pouquinho mais complicado, mas até que era bom para ajudar a desconstruir outra ideia muito comum na cabeça dos pimpolhos da 6ª série: “não sei por que tenho que estudar português se eu quero mesmo é ser biólogo”

Written by Daniel

janeiro 23, 2013 at 6:35 pm

Publicado em Biologia

Christina Hoff Sommers, uma feminista que enxerga para além do próprio umbigo II

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Written by Daniel

novembro 17, 2012 at 1:38 am

Publicado em Religião

Christina Hoff Sommers, uma feminista que enxerga para além do próprio umbigo.

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É fácil ser antiracista quando você é um negro vivendo na África do Sul de 1960, é muito óbvio ser feminista quando você é uma mulher dos anos 20 impedida de votar ou estudar ou trabalhar ou ter opiniões.

Christina Hoff Sommers é do tipo de pessoa nem tão fácil de se encontrar: numa sociedade em que as mulheres estão definitivamente por cima da carne seca e que a cada dia exigem e recebem mais e mais privilégios ela se empenha na posição de combate contra o movimento hegemônico (que hoje é) de sexismo às avessas chamado de feminismo.

Na verdade ela divide o feminismo em dois grupos: um ela chama de feminismo de igualdade (em que ela afirma estar inclusa, e eu também, embora prefira o termo neutro “anti-sexismo”) onde inclui todos os indivíduos que advogam por igualdade civil e legal entre gêneros e o outro que ela chama de feminismo de gênero, este feminismo das propagadoras da Lei Maria da Penha e do vagão feminino que tanto me enoja (e que ela passa a vida a combater) onde inclui aqueles que defendem a manutenção e criação privilégios para as mulheres sempre ávidos em combater uma desigualdade por outra.

Não é a única intelectual de relevo a ter percebido os excessos e falácias do discurso e da prática feminista contemporânea, aliam-se a ela nomes de relevo como a escritora Camille Paglia, mas deve ser a que é mais ativa em sua bandeira de “igualdade sempre a não depender de quem está sendo injustiçado”.

 Poderia ficar quietinha no seu canto, aproveitando um momento em que as suas cogêneres trabalham quase sempre menos para ganhar a mesma coisa, se aposentam mais cedo, ficam com mais de 80% das guardas em caso de separação, sofrem penas menores quando cometem os mesmos crimes, agridem mais do que são agredidas dentro do lar et cetera.

Mas dona Sommers não é daquele tipo de gente que só enxerga a desigualdade quando é no próprio lombo que o chicote está estalando, não está bom para ela quando numa sociedade dita igualitária alguns indivíduos sempre parecem ser mais iguais que os outros. Por isso acho que Christina merecia mais traduções em português, o muito que achei foram alguns vídeos legendados no Youtube, nenhum dos seus livros (que são best-selleres em seu país) como “Who stole feminismo” (‘Quem vendeu o feminismo?”) ou “War agaist boys” (A guerra contra os meninos”) foi traduzido para a língua de Caetano Veloso.

Não posso fazer muito quanto a isso, mas dá para gastar uns minutos a traduzir este artigo escrito por ela para o Huffington Post sobre o discurso falacioso dos feministas sobre a alegada e não sustentável em termos acadêmicos injustiça salarial entre homens e mulheres.

Mrs. Sommers demonstra que se mulheres ganham menos que homens é porque escolhem trabalhar em atividades menos laboriosas (serviço e comércio contra indústria e extração no caso dos homens), que exigem menos especificidade técnica e com maior relação de profissionais disponíveis por vagas no mercado (humanas no caso delas contra exatas no caso deles) e pela diferença de carga horária (homens trabalham muito mais hora por dia, na média) e não pelo mercado ser controlado por mãos misóginas.

Não mencionou ainda que as mudanças ainda estão em trânsito e que ao que tudo indica daqui a muito pouco tempo mulheres não só trabalharão muito menos que os homens (como já trabalham) e atividades menos laboriosas (como já é feito) como ganharão salários significativamente maiores devido à outra lacuna entre gêneros que tem se formado, a educacional.


O mito da lacuna salarial desmascarado (por feministas)

Christina Hoff Sommers para o Huffington Post

Se você acredita que as mulheres sofrem discriminação salarial sistêmica, leia o novo estudo da Associação Americana de Mulheres Acadêmicas (AAUW) “Graduando-se para uma lacuna salarial” . Ignore as estratégias verbais e considere profundamente olhar para os números. As mulheres estão perto de atingir a meta de salário igual para trabalho igual. Elas podem já ter atingido.

Quantas vezes você já ouviu que, para o mesmo trabalho, as mulheres recebem 77 centavos para cada dólar do que um homem ganha? Esta alegada injustiça é a base para o dia Dia da Igualdade Salarial observado a cada ano, em meados de abril para simbolizar quantos dias a mais as mulheres têm que trabalhar para recuperar o atraso em relação aos ganhos dos homens do ano anterior. Se a AAUW estiver correta, o Dia da Igualdade Salarial terá agora de ser transferido para o início de janeiro.

A AAUW agora se alia com os economistas sérios que acham que quando você usa as diferenças relevantes entre homens e mulheres  (ocupações, níveis de graduação, período de tempo em local de trabalho) como controles epistemológicos a diferença salarial estreita a ponto de desaparecer. A diferença de 100 para 77 é simplesmente a diferença média total entre os rendimentos de homens e mulheres empregados. O que é importante é que a diferença de salário “ajustado”- o raciocínio que controla todas as variáveis relevantes. É isto o que o novo estudo AAUW explora.

Os pesquisadores AAUW observaram indivíduos com formação universitária do sexo masculino e feminino, um ano após a graduação. Depois de controlar vários fatores relevantes (embora alguns foram deixados de fora, como veremos), eles descobriram que a diferença salarial diminuiu para apenas de 23 dólares 6,6 dólares. Quanto desta diferença pode ser atribuída à discriminação? Como a porta-voz AAUW Lisa Maatz candidamente disse em uma NPR entrevista, “Nós ainda estamos tentando calcular isso.”

Um dos melhores estudos sobre a disparidade salarial foi lançado em 2009 pelo Departamento do Trabalho dos EUA. Ele analisou mais de 50 artigos revisados por pares e concluiu que a diferença de 23 centavos de salário por dolar “é, possivelmente, resultado de escolhas individuais que estão sendo feitas por ambos os trabalhadores do sexo masculino e feminino.” Até agora, os grupos feministas ignoravam ou replicavam tais achados.

“Na verdade”, diz o Centro Nacional de Legislação Feminina, “estudos fidedignos mostram que, mesmo quando toda a carreira relevante e características familiares são levados em conta, ainda existe uma lacuna significativa, inexplicável entre rendimentos de homens e mulheres.” Não é bem assim. O que o estudo do Departamento de Trabalho 2009 mostrou foi que, quando os controles adequados estão no lugar, a diferença salarial inexplicável (ajustada) é algo entre 4,8 e 7 por cento. O estudo AAUW novo é consistente com estes resultados.

Mas esta lacuna inexplicável, embora muito menor do que os 23 centavos incessantemente divulgados, ainda não é uma grave injustiça? Não deveríamos procurar formas de obrigar os empregadores a pagar às mulheres estes 5 ou 7 por cento de diferença? Não antes de descobrir a causa. A AAUW observa que parte desta nova lacuna de 6,6 centavos por dolar pode ser devida à supostamente menor capacidade das mulheres em negociar – e não empregadores sem escrúpulos. Além disso, a AAUW de 6,6 centavos inclui algumas grandes diferenças salariais legítimas mascaradas pelo excesso de categorias ocupacionais agrupadas. Por exemplo, os pesquisadores classificam Ciências Sociais como uma (única) carreira e relatam que, em tal carreira, as mulheres ganhavam apenas 83 por cento do que os homens ganhavam. Isso pode parecer injusto … até que você considere que a Ciências Sociais (no estudo) inclui tanto a Economia quanto Sociologia.

A carreira de Economia (cuja porcentagem de estudantes e profissionais homens é de 66) oferece um salário médio de US $70.000, a carreira de Sociologia (68 por cento mulheres), oferece uma média salarial de US $40.000. A economista Diana Furchtgott-Roth, do Instituto Manhattan aponta incongruências semelhantes. O estudo da AAUW classificou trabalhos tão diversos como advogado, bibliotecário, atleta profissional e comunicador social debaixo de uma mesma rúbrica – “outros empregados de escritório” .  Furchtgott-Roth contesta: “Então, o relatório AAUW compara o salário de advogados do sexo masculino com o de bibliotecários do sexo feminino; dos atletas do sexo masculino com o das assistentes. Isso não é uma comparação entre as pessoas que fazem o mesmo trabalho.”. Com categorias mais realistas e definições, a diferença de 6,6 restantes certamente diminuir para apenas alguns centavos, no máximo.

Poderia a defasagem salarial por gênero vir a ser zero? Provavelmente não. A AAUW corretamente observa que ainda há evidência de viés residual contra as mulheres no local de trabalho. No entanto, com a diferença se aproxima de alguns centavos, não há muito espaço para a discriminação. E como os economistas frequentemente nos lembram, se fosse realmente verdade que o empregador poderia pagar menos para Maria pelo mesmo trabalho que o João faz, os empresários inteligentes demitiriam todos os seus funcionários do sexo masculino, substituiriam pelas fêmeas, e desfrutariam de uma vantagem enorme mercado.

Grupos de mulheres irão afirmar que mesmo se a maior parte da diferença salarial puder ser explicada pela escolhas das mulheres, essas escolhas não são verdadeiramente livres. Mulheres que se graduam em sociologia, em vez de economia, ou que escolhem trabalhos que permitam mais atenção à família sobre aqueles que pagam melhor, mas oferecem menos flexibilidade, podem estar sendo impelidas por estereótipos culturais. De acordo com a Organização Nacional de Mulheres (NOW), poderosos estereótipos sexistas “orientam” homens e mulheres “para a educação, treinamento e planos de carreira diferentes” e diferentes papéis familiares. Mas são as mulheres americanas realmente tão escrava de estereótipos como seus protetores feministas reivindicam? Não são mulheres capazes de compreender suas preferências reais e tomar decisões por si mesmas?  O NOW precisa demonstrar, não dogmaticamente afirmar, que as escolhas das mulheres não são livres. E precisa explicar por que, em contrapartida, as escolhas de vida que promove são as autênticas – as mulheres realmente querem, e que irá torná-las mais felizes e realizadas.

Não vai ser nada fácil para o AAUW e seus aliados abandonar a idéia de injustiça de gênero sistêmica. Os funcionários da AAUW estão fortemente tentandos a sustentar a narrativa de “más notícias para as mulheres”. De acordo com o material publicitário de “Graduando-se para uma lacuna salarial”, “A AAUW divulgou hoje um novo estudo mostrando que apenas um ano fora da faculdade, milhares de mulheres recebem  82 centavos para cada dólar pago a seus colegas masculinos. Mulheres recebem menos do que os homens mesmo quando eles fazem o mesmo trabalho e se formam na mesma área. ” Muitos jornalistas parecem ter lido e divulgado o press release da AAUW, em vez de sua pesquisa.

Aquilo é só a publicidade. Se foquem nos números.

Written by Daniel

novembro 16, 2012 at 3:44 pm

Publicado em Sexismo, Sociedade

Et vive l’anarchie!!!!

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Lendo os comentários nos blogs e sites da websfera sobre o caso do guarda que deu uma banda no skatista abusado só posso dizer que o pessoal parece não saber mesmo viver em algo que não seja ditadura nem anarquia: é 8 ou 80, ou vivem sob a vigilância constante do Estado sob cada ação e pensamento ou acham que tá tudo descaralhado e que não precisam cumprir regra alguma sobre coisa nenhuma.

Quer dizer que o moleque descumpre sucessivas ordens do poder constituído quanto ao local em que deveria praticar suas manobras radicais (a fim de não colocar em risco quem não tinha nada a ver com a novela), se nega a cumprir as ordens (ordens estas justificadas e coerentes comuma visão democrática e plural do conceito de liberdade e da máxima ocidental de que o direito de um cidadão termina onde o de outro começa: nestes casos o de praticar seu esporte preferido e o de caminhar tranquilamente em uma praça, respectivamente) de forma acintosa, é impedido por meio de força (força esta que é o que caracteriza o poder de polícia) de cometer o delito e vira herói? Tá bom, então.

Ao meu ver a ação do guarda foi legítima e no estrito cumprimento da função. Agora, que lição a sociedade tá dando a estes moleques? Que eles não precisam cumprir normas, que ordem da lei é o caralho, que direito alheio e limites de uso do espaço público é a puta que o pariu.

Daqui a alguns anos é possível que ouçamos notícias sobre um tal de Pedro Neném que talvez tenha matado alguns pedestres enquanto estava participando de um pega com os amigos, e ficaremos nos perguntando o porquê de a polícia não ter intervido. Sim, porque são análogas, fazer acrobacias de skate a vários metros de altura fora da rampa e sobre a cabeça de pacíficos transeuntes é análogo a fazer cavalo de pau fora de um autródomo e em uma rua cheia de pedestres. E acho que nem vou precisar explicar que “análogo” não é sinônimo de “idêntico” já que este blog não tem sequer leitores, que dirá leitores analfabetos.

Se o poder constituído na figura do guarda municipal não tem direito (e dever) de impedir por meio da força um ato de desordem mesmo após várias  recomendações pacíficas então dissolvam a guarda municipal do Rio, dissolvam a PM, dissolvam a Marinha… e que venha a tão sonhada anarquia. Vivas a ela!!!

Written by Daniel

julho 27, 2012 at 4:43 pm

Publicado em Sociedade

Se liga no Jazz

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Em agosto vai rolar um festival de Jazz com eventos (gratuitos, eba) passando por Rio, BH e Brasilia: o festival internacional I Love Jazz já rola há alguns anos e para esta edição as atrações ainda estão sendo anunciadas aospoucos, a medida que os contratos são fechados. Por enquanto há quatro shows confirmados, dos quais o que mais me interessou foi o de Meschiya Lake and her Little Big Horns.

Uma menina branca que juntou dinheiro para gravar seu primeiro e único (até agora) álbum tocando nas ruas (nas ruas mesmo, no estilo chapeuzinho de ponta-cabeça largado no chão para o público jogar as moedinhas que tiverem sobrando no bolso) da cidade sagrada no Jazz, Nova Orleans, e pelo resto dos EUA junto com sua pequena Grande Banda de metais formada por uns cinco caboclos igualmente brancos.

O jazz de Meschiya é uma reverência ao Jazz que se fazia naquela bendita cidade de franceses e pretos incrustada na Luisiana nas décadas de 20 e 30 lá do século passado, uma digna homenagem.

Neste link tem Meschiya e sua bandinha em uma esquina de Nova Orleães e no comecinho de Agosto, candangos, belorizontinos e cariocas vão ter a oportunidade de se ligarem fortemente no Jazz. Ansioso.

Written by Daniel

julho 4, 2012 at 1:07 pm

Publicado em Rock and Roll

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